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"Repare bem!"

A palavra “escola” em grego tem um significado de lugar do ócio. Ou seja, o lugar onde as gentes se encontram para a ociosidade do “eureka”. Eureka significa em grego descoberta, ou seja, onde existe o espaço propício para que os conteúdos e práticas façam sentido no estar no mundo.

Além dos parâmetros gregos, o jurista brasileiro Dalmo Dalari define a “lei” como uma possibilidade de, ou seja, a lei é uma construção coletiva para que o verbo se torne carne! E as normas sejam impulsos inteligíveis para incorporar situações de justiça. Não existe justiça individual. A justiça pressupõe alteridade, e, portanto, convivência. A frase: “o meu direito acaba quando começa o seu direito” é a declaração mais cretina da cultura do extermínio. Ou seja, como o direito, sendo ele regido pela justiça, é sempre coletivo, sempre olhado de forma a resgatar o que é fundamento e essência, e nunca acaba. Ele pode ser impossibilitado ou mesmo serciado de ser exercido dentro de um coletivo, mas sempre existente. Então o direito quando identificado coletivamente, sempre é existente. E o direito é identificado (palavra que vem do radical grego: idens, idem), quando o indivíduo se reconhece e se redescobre como sujeito de direito a partir do outro, do direito coletivo.

Tudo isso dito, quer trazer o cerne da provocação contemporânea.

O espaço da escola, ou melhor agora identificado, os espaços do aprendizado, que também encontram ninho nos eurekas coletivos dos territórios, populações e culturas, é sociombientalmente educativo. Desde que se reconheçam, na observação e nas identificações do outro como sujeito de direitos, inclusive (que palavra mais apropriada para este contexto de verdadeira inclusão), quando reconhecemos o nosso direito pelo direito coletivo.

Estar na escola é a garantia de direito de identificar-se sujeito de direitos, onde a história de conteúdos e práticas de gentes, territórios e culturas, não pode ser excluída e segregada.

Ora, então, garantir que a ocupação dos espaços de convivência e eurekas, sejam eles interrelacionais ou extra relacionados, onde os conteúdos e práticas sejam abundantes em diversidade e integralidade propiciando que a educação aconteça como facilitação do ser sujeito coletivo no mundo e na história, sem negacionismos e muito menos sem exclusão de reconhecimentos e identidades de territórios populações e culturas é a busca da cultura do bem viver.

A escola tem que fazer sentido e não dar sentido.

Fazer sentido no cuidado (que é o significado de governo) deste sujeito de direitos coletivos. Assim, como preconiza a doutrina da proteção integral (art. 227. Constituição de 1988), e demais normatizações de garantia de direitos (lei 10.639/03), onde é dever da família, sociedade e estado assegurar os direitos fundamentais e priorizar a garantia de direitos daqueles segmentos sociais (crianças, adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, povos originários, comunidades tradicionais, entre tantos outros) que historicamente não eram reconhecidos como sujeitos de direitos. E, portanto, párias de direitos.

Incluir não é só dar acesso a direitos.

Inclusão é quando o acesso de direitos faz sentido para o reconhecimento e identidade em todas e com todas as gentes e gerações de justiça. Isto é equidade.

Então, basta que resgatemos juntos este fazer sentido, como rede, como povo.

Em todos os níveis, família, sociedade e estado.

Onde os conteúdos não sejam para conduzir invenções e manter ricos, mas sim valorizar as identificações de reconhecimento de direitos coletivos e, assim, fortalecer as riquezas sociais, ambientais e econômicas (entendendo aqui economia na sua essência etimológica de cuidar da casa).

Sem preguiças, com coragens e em coletivo torna-se, a partir dos conteúdos e práticas educativas na escola do mundo, o advogar prioritariamente diante de histórias, repito aqui intergeracionais, a nossa condição de ser sujeito de direitos coletivos com e em todos os povos, culturas e territórios.

Retomando ainda a constituição de 88, constituição cidadã, que preconiza e traz pela primeira vez a possibilidade de sermos participantes como parceiros e fomentadores de cuidados destes povos, culturas e territórios (ou seja, políticas públicas), através principalmente dos conselhos de direitos e consultivos dos territórios.

Esta possibilidade da lei, ainda está engatinhando.

Porque ainda não nos reconhecemos educadores esperançosos.

Mas, isto tudo está nesta jornada educativa de fazer sentido. Não desanimemos! Não sejamos escolas com grades de aula e com matérias sem materializações de justiça socioambiental.

Sejamos educadores e cuidadores na ocupação de todos os espaços com conteúdos e práticas coletivas de bem viver.

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